Cajamarense está entre as três pessoas no Estado a receber coração artificial pelo SUS
Após infarto e parada cardiorrespiratória, moradora do Cimiga relata nova perspectiva de vida com implante do HeartMate 3.
Uma história de superação e avanço da medicina ganhou destaque em Cajamar. A moradora Alessandra Duarte Costa Damasceno, de 54 anos, residente no bairro Cimiga, procurou a redação do Metrópole Regional para compartilhar uma experiência que considera transformadora: ela é uma das três pessoas no Estado de São Paulo a receber o dispositivo cardíaco HeartMate 3, conhecido como coração artificial, com procedimento realizado 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A trajetória até o implante foi marcada por momentos delicados. Alessandra sofreu um infarto em maio de 2024 e, meses depois, em outubro, enfrentou uma parada cardiorrespiratória. Diagnosticada com insuficiência cardíaca, iniciou tratamento na unidade de saúde de Jordanésia. Em 2025, chegou a implantar um CDI (cardiodesfibrilador implantável), mas o quadro não apresentou melhora significativa. Em agosto do mesmo ano, recebeu da equipe médica a proposta de implante do HeartMate 3 — dispositivo que auxilia o bombeamento de sangue em pacientes com insuficiência cardíaca avançada.
O procedimento foi realizado no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, referência nacional em cardiologia e, segundo a paciente, a única unidade hospitalar do Estado a realizar o implante do equipamento pelo SUS. Alessandra faz questão de reconhecer o acompanhamento do cardiologista Dr. Rafael, da unidade de Jordanésia, que participou de sua condução clínica até o encaminhamento para o hospital especializado.
Hoje, a rotina é diferente. Segundo ela, a vida após o HeartMate 3 se aproxima da normalidade, ainda que com algumas restrições médicas, como não poder entrar no mar ou em piscinas. Pequenos gestos cotidianos, antes comprometidos pela limitação física da insuficiência cardíaca, voltaram a fazer parte da rotina: dormir deitada, ir à feira, cozinhar e passear com os filhos. “A insuficiência cardíaca tira sua mobilidade, sua resistência e até sua vontade. O HeartMate me trouxe grande parte disso de volta”, relata.
Além de Alessandra, outro morador de Cajamar também passou pelo mesmo procedimento na mesma unidade hospitalar, fato que chama atenção. Das três pessoas que receberam o dispositivo no Estado de São Paulo, duas são da cidade. Para ela, o caso reforça a importância de informação e acesso ao tratamento. “Muitas pessoas que sofrem com insuficiência cardíaca não sabem que existe essa possibilidade. Vale a pena”, afirma.
A história da cajamarense evidencia não apenas a evolução tecnológica da medicina cardiovascular, mas também o impacto que políticas públicas de saúde podem ter na vida de pacientes em estado grave. Entre limitações e recomeços, Alessandra resume a experiência como um renascimento possível — sustentado pela ciência, pelo atendimento público e pelo desejo de continuar vivendo.


